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| (Foto: Nathalia Barbosa) |
Neste Dia Internacional da Mulher vou contar para vocês uma história linda e inspiradora de uma mulher forte e guerreira. Para começar, faço a pergunta: O que você faria se entrasse em trabalho de parto sozinha, em casa? Eu provavelmente ligaria para alguém próximo e logo seguiria para o hospital. Libória Ferreira Amorim, de 67 anos, não teve esta opção. Sempre viveu em regiões rurais de Alcinópolis e precisou parir deitada em seu quarto, sozinha, três de seus seis filhos.
A história de força e superação dessa mãe começou ainda criança, quando com apenas três anos de idade já ajudava com os afazeres da fazenda em que vivia com os seus pais. Por muitas vezes, Libória e os irmãos passaram madrugadas pastoreando mata adentro. "Eu precisei saber muito cedo a não ter medo e aprendi a não chorar, não gemer, não reclamar", disse.
Depois de casada, com pouco mais de 20 anos de idade, veio o primeiro filho. Libória foi do céu ao inferno, pois o bebê morreu três dias após o parto. Na época, as mulheres não faziam pré-natal, ficavam sabendo o sexo de seus filhos quando eles nasciam. "Meu filho nasceu saudável, de um parto normal mas poucas horas depois percebi que ele não estava bem. Tudo era difícil, inclusive para ir até uma cidade maior. Não deu tempo de levá-lo ao médico".
Alguns anos depois vieram mais cinco filhos, todos nascidos de parto normal e em casa. Porém, três deles a mulher precisou dar à luz sozinha. "O pai dos meus filhos ia para a cidade beber e me deixava sozinha na fazenda. Eu chegava a passar um dia inteiro sentindo as dores do parto até que os meus filhos nascessem. Eu mesma cortava o cordão umbilical e em seguida dava banho nos bebês. Nesses momentos contei apenas com a força de Deus", contou.
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| (Foto:Nathalia Barbosa) |
Parteira das próprias filhas
Cerca de 20 anos atrás, Libória vivenciou com duas filhas histórias semelhantes a sua, a diferença é que as meninas contaram com a ajuda da mãe no momento de dar à luz. Primeiro precisou realizar o parto da filha mais velha e cinco anos depois foi a vez de ajudar a filha do meio a parir. "Na época não tinha médico aqui e as experiências com os meus próprios partos me deram segurança para ajudar as minhas filhas a trazerem meus netos ao mundo", explicou.
No entanto, Libória avisa que não é parteira, que apenas precisou desempenhar esta função por não haver outra saída."Fui apenas um instrumento de Deus quando precisei auxiliar as minhas filhas. Ele quem cuidou delas e permitiu que desce tudo certo no momento do parto".
O segredo é não esmorecer
Separada há mais de 20 anos, a senhora simpática e de poucas palavras vive sozinha em uma casa simples e aconchegante, com um quintal cheio de plantas, em uma rua pacata sem pavimentação asfáltica. Questionada sobre qual o segredo de, mesmo com as dificuldades, seguir sempre em frente, Libória diz que o importante é aceitar o rumo que a vida dá sem reclamar. "Eu nunca questionei os acontecimentos, não reclamo e não esmoreço. A gente não pode esmorecer nunca. Tem que ser forte e enfrentar as batalhas que aparecem em nossos caminhos".
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| (Foto: Nathalia Barbosa) |
É com essa história que eu desejo a todas as mulheres força, coragem e muita fé para lidar com os problemas do dia a dia, lutar pelos seus direitos tantas vezes negados e contra as desigualdades que ainda assombram nossas vidas. Feliz Dia Internacional da Mulher!
Um forte abraço!
Nathalia.



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