segunda-feira, 9 de maio de 2016

Dicas para os seus filhos se alimentarem bem


De acordo com a Nutricionista Daiany Miranda, convencer as crianças a comer bem não é tarefa fácil. “No consultório vejo várias mães desesperadas que não sabem o que fazer porque o filho não se alimenta bem e só quer comer besteiras”, contou. 

As guloseimas coloridas, doces e bonitas sempre chamam a atenção da criançada e os alimentos nutritivos parecem não ter graça. Mas o fato é que uma criança com hábitos alimentares errados se tornará um adulto que não se alimenta bem e isso não é nada bom. 

“Muitas doenças são causadas pela má alimentação, então é preciso cuidar enquanto há tempo. Porém com calma, tranquilidade e persistência tudo dará certo”, garantiu a nutricionista. 



Daiane explicou que o comportamento alimentar da criança entre 2 e 6 anos muda muito, fase chamada de pré-escolar. Hoje a criança pode gostar de um alimento e amanhã não gostar mais, que é normal e caracteriza-se por ser imprevisível e variável.  “A quantidade de alimentos também pode oscilar, sendo grande em alguns períodos e nula em outros, pois ocorre nessa fase a diminuição do apetite”. 

Por isso, é necessário o conhecimento de alguns aspectos importantes da evolução do comportamento alimentar na infância. Para isso, Daiane respondeu alguns perguntas bem importantes sobre o tema. Confira: 

Porque algumas crianças lutam para não provar alimentos novos?  

Crianças em fase de formação do hábito alimentar não aceitam novos alimentos prontamente. Essa relutância em consumi-los é conhecida como neofobia (aversão a novidades). Isto é, a criança nega-se a experimentar qualquer tipo de alimento desconhecido e que não faça parte de suas preferências alimentares. 

Para que esse comportamento se modifique, é necessário que a criança prove o novo alimento em torno de oito a 10 vezes, mesmo que seja em quantidade mínima. Somente dessa forma ela conhecerá o sabor do alimento e estabelecerá seu padrão de aceitação.

Lembrando que o apetite é variável, momentâneo e depende de vários fatores, entre eles, idade, condição física e psíquica, atividade física, temperatura ambiente, ingestão na refeição anterior. Outra coisa, criança cansada ou superestimulada com brincadeiras pode não aceitar a alimentação de imediato.

Como estimular o apetite da criança? 

No verão o apetite da criança tende a ser menor do que no inverno.  Ele (o apetite) pode diminuir se na refeição anterior a ingestão calórica foi grande. Além do mais, o apetite é regulado pelos alimentos preferidos da criança, sendo estimulado pela forma de apresentação da alimentação (cor, textura e cheiro).

Os alimentos preferidos pela criança são os de sabor doce e muito calóricos. Essa preferência ocorre porque o sabor doce é inato ao ser humano, não precisa ser “aprendido” como os demais sabores. Ou seja, é normal a criança querer comer apenas doces. Cabe aos pais, portanto, colocar os limites de horário e de quantidade.



O que fazer quando a criança recusa insistentemente um determinado alimento?

O ideal é substituí-lo por outro que possua os mesmos nutrientes. E se esse alimento for imprescindível, pode-se variar também o seu modo de preparo, por exemplo: cenoura ralada, cenoura cozida, purê de cenoura, arroz com cenoura, torta com cenoura, sopinha com cenoura. 

Lembre-se também que a criança tem direitos fundamentais na sua alimentação, como o de ingerir a quantidade que lhe satisfaça, o de ter preferências e aversões e o de escolher o modo (utensílios) como o alimento lhe é oferecido. No entanto, comportamentos como recompensas, chantagens, subornos ou castigos para forçar a criança a comer devem ser evitados, pois podem reforçar a recusa alimentar.

O ambiente na hora da refeição também conta muito. Deve ser calmo e tranquilo, sem a televisão ligada ou quaisquer outras distrações, como brincadeiras e jogos.

Aproveitar os momentos de mais fome pode ser um aliado?

Sim. Se a criança tiver com fome e quiser repetir pode sim aproveitar esse momento para dar mais alimentos a ela. A criança possui mecanismos internos de saciedade que determinam a quantidade de alimentos de que necessita, por isso deve ser permitido a ela o controle da ingestão.  

É muito frequente a mãe, por preocupação, servir uma quantidade de alimento maior do que o filho consegue ingerir. O ideal é oferecer uma pequena quantidade de alimento e perguntar se a criança deseja mais. Lembrando que ela não deve ser obrigada a comer tudo que está no prato.

Por dia, quantas vezes as crianças devem se alimentar?

E o ideal é que a criança se alimente pelo menos cinco vezes ao dia: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar.  As refeições e os lanches devem ser servidos em horários fixos diariamente, com intervalos de duas a três horas, suficientes para que a criança sinta fome na próxima refeição.

Um grande erro é oferecer alimentos fora de hora ou deixar a criança alimentar-se sempre que deseja, pois assim não terá apetite no momento das refeições. 

A participação das crianças na cozinha é importante?

Sim e muito! Estudos mostram que as crianças entrando em contato direto com o alimento antes de sua preparação tem uma melhor aceitação, tanto das frutas como das verduras e legumes.  Deixar a criança participar das compras e da hora de fazer a comida permite que ela conheça os alimentos e se habitue a priorizar as refeições no dia a dia. 



Como os pais influenciam na alimentação dos filhos?

A aceitação dos alimentos se dá não só pela repetição à exposição mas também pelo condicionamento social e a família é o modelo para o desenvolvimento de preferências e hábitos alimentares.  

O exemplo é que vai ajudar muito na formação do hábito alimentar da criança. Portanto, é importante que desde o primeiro ano de vida, na introdução dos alimentos complementares, a criança observe outras pessoas se alimentando.

A criança come o que é oferecido a ela. E normalmente os pais oferecem o que eles comem. Se os pais tiverem um hábito alimentar inadequado, a criança também terá.  É muito importante que os pais comam frutas e verduras, mostrando ao filho que aquilo faz bem e que é gostoso. 

Outras dicas importantes 

Eu sempre digo que comida saudável pode e deve ser gostosa! Com alimentos frescos, bem temperados, variados e combinados entre si fazemos refeições deliciosas. É sempre bom evitar temperos prontos (arisco, sazon, caldo Knor) e preferir temperos naturais (alho, limão, orégano, manjericão, cebolinha, salsinha, alecrim). Além de evitar frituras e consumir somente cozidos e assados. Podemos consumir doce, mas com moderação. A gente pode consumir de tudo, desde que seja na quantidade certa.

Eu sempre passo algumas orientações aos meus pacientes para que a conduta alimentar da criança seja saudável e a formação do hábito adequada. São elas:

- Quando houver doce de sobremesa, oferecê-lo como mais uma preparação da refeição, evitando utilizá-lo como recompensa ao consumo dos demais alimentos.
- A oferta de líquidos nos horários das refeições deve ser controlada, porque o suco, a água e, principalmente, o refrigerante distendem o estômago, podendo dar o estímulo de saciedade precocemente.
- O ideal é oferecer água à vontade nos intervalos das refeições para que a criança não sinta necessidade de ingerir líquidos na hora de comer.
- Os sucos naturais podem ser oferecidos eventualmente, na quantidade máxima de 150 ml/dia, devendo-se estimular o consumo de frutas como sobremesa. 
- Não assistir televisão, jogar videogame ou brincar enquanto estiver se alimentando.

(imagens: Pinterest)

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