quinta-feira, 12 de maio de 2016

Conheça a história da mãe que perdeu seu bebê e passou três dias com ele sem vida em sua barriga

A história de hoje é sobre uma mãe forte e guerreira, que foi do céu ao inferno em poucos segundos depois de descobrir que havia perdido o seu bebê no oitavo mês de gestação. Ela é Sabrina Cerode, mulher do Thiago, mãe da Isabelly de quatro anos e do Arthur, que em sua breve existência mudou a vida de toda a família. 

Sabrina e Thiago não planejaram a gestação do Arthur e foram pegos de surpresa. Namorando há pouco mais de um ano, com a novidade o casal enfrentou algumas dificuldades, abriu mão de muitos sonhos, assumiu as responsabilidades e decidiu se casar. 

Apesar de sofrer com o mal estar decorrente da gravidez, Sabrina teve uma gestação normal até os cinco meses, quando tudo começou a mudar. “Um belo dia tive um pico de pressão e ela foi a 19. A médica disse que a alteração era por conta do meu peso, que estava alto, mas na verdade eu estava com Pré-eclâmpsia”, contou. 

De acordo com especialistas, se não for tratada, a pré-eclâmpsia pode levar a sérias - até mesmo fatais - complicações para a gestante e seu bebê. Nesta condição, a grávida e a equipe médica devem trabalhar para que o bebê não corra risco de complicações antes do parto acontecer. O que não aconteceu com a Sabrina e o Arthur. 

“Eu não fui tratada como uma grávida de risco. Não recebi acompanhamento médico e tratamento diferenciado. Muito pelo contrário, continue trabalhando normalmente apesar do mal estar e inchaço. Mãe de primeira viagem, eu não sabia dos riscos que eu e o meu filho estávamos correndo”. 

Com oito meses de gestação Sabrina teve um mal estar intenso e viu a sua pressão arterial subir para 22,12 mmHg. Ela precisou ser internada e durante os 15 dias que passou no hospital realizou diversos exames, enquanto a equipe médica monitorava os diariamente os batimentos cardíacos do bebê. Emocionada, a mãe contou como foi a última vez em que ouviu o coração do seu filho bater. “Um dia antes do pior acontecer estava tudo certo. Ele estava perfeito, se mexia bastante e coraçãozinho batia normalmente”. 

Porém, no dia em que Arthur se foi, a equipe de enfermagem não realizou o monitoramento como de costume, alegando que o movimento do hospital estava intenso e o trabalho muito corrido. Os médicos e a Sabrina passaram o dia todo sem saber como o bebê estava e apenas na madrugada do dia seguinte realizaram o exame. Já era tarde demais. 

“A equipe médica se assustou quando não ouviu os batimentos dele e depois de muito corre e corre a doutora me olhou e disse: Sabrina, não tem mais batimentos. Eu fiquei morta, não chorei, não gritei, não tive expressão e não sei explicar até hoje que tipo de sentimento que eu tive”. 

Como a pressão arterial de Sabrina se mantinha elevada, não foi possível realizar a cesárea de imediato e a jovem passou a receber medicamento para induzir o parto normal. Ao todo, a mãe ficou três dias com o bebê sem vida dentro de sua barriga. 

“Nesses dias eu me isolei e não quis receber muitas visitas. Eu conversava muito com o Arthur e chegava a sentir a minha barriga mexer. Eu queria um milagre. Foi como morrer em vida. Eu estava ali, mas não processava tudo aquilo que estava acontecendo”. 

O Parto 

Sabrina recebeu o apoio dos familiares, mas na noite em que o seu corpo deu os primeiros sinais de que o trabalho de parto havia começado ela estava sozinha, o que, para a mãe, não foi por acaso. “Eu precisava passar por aquele momento sozinha”. 

Antes do nascimento de Arthur Sabrina entrou em desespero. Uma mistura de sentimentos tomou conta do seu coração: o medo de ver a criança e, principalmente, a dor de perceber que o momento da despedida estava cada vez mais próximo. 

“Eu não vi o meu filho nascer, apenas senti. Não sabia em que condições físicas ele estava depois de três dias sem vida dentro de mim e isso me assuntou muito. Mesmo sentindo muita dor, eu consegui ter um parto normal e soube que ele estava com a aparência perfeita. Ainda assim, por medo, escolhi não vê-lo”. 

Caso pudesse voltar atrás e fazer algo diferente, sem dúvida ela escolheria ver o filho e ter esse contato tão importante para que o luto seja processado. “Hoje eu me arrependo de não ter visto, fico sempre imaginando como ele era e com quem se parecia”. 

O retorno para casa

Como toda gestante que volta para casa sem o seu bebê, Sabrina viveu um dos momentos mais dolorosos de sua vida. “Voltar para casa foi muito difícil, eu pegava as coisinhas dele e só chorava. Tinha tudo em casa menos o principal”. 

Como uma forma de se retratar, o hospital que atendeu Sabrina ofereceu tratamento para investigar a causa da morte de Arthur, mas até hoje nenhum diagnóstico foi apresentado. “Eu pensei em processar o hospital, mas de nada adiantaria, o meu filho não iria voltar. Mas nada me tira da cabeça que se o exame para monitorar os batimentos dele tivesse sido feito naquele dia, teríamos salvado o Arthur”. 

Segunda gestação 

Logo que o Arthur partiu, Sabrina ficou paranoica por engravidar novamente, era como se outro bebê fosse suprir todo o vazio que ocupava o seu peito. Ela é evangélica e em certo dia recebeu a visita de um familiar que, de acordo com ela, foi um instrumento que transmitiu uma mensagem de Deus. 

“Ele olhou para mim naquele sofrimento e disse que me via com um bebê no colo, uma menina. Prometeu-me uma filha que me traria muita alegria e essa promessa foi cumprida. Garantiu que Logo o meu choro iria se transformar em alegria”, explicou. 

E assim, após sentir muito enjoo apenas três meses depois que tudo aconteceu, Sabrina descobriu que estava grávida novamente. “Foi o dia mais feliz da minha vida”. 

Desta vez a família foi presenteada com uma menina. Arthur se foi no dia 20 de fevereiro de 2011 e a Isabelly chegou quase exatamente um ano depois, em 25 de fevereiro de 2012. “Com o nascimento da minha filha pude comprovar na prática que um filho jamais substituirá o outro”. 

O legado de Arthur 

Tudo em nossas vidas é aprendizado. A alegria nós faz feliz, mas a dor nos transforma como ser humano. E foi esse aprendizado que a breve existência de Arthur deixou para Sabrina e sua família. “Ele foi uma lição de vida que me fez amadurecer. Hoje eu sou outra mulher, uma pessoa ainda mais forte e fortalecida na fé”. 

Além desta grande transformação, antes mesmo de nascer o menino uniu os pais que decidiram se casar com a descoberta de que ele estava a caminho. E hoje, cinco anos depois, o casal vive bem e feliz, sempre com o Arthur nas lembranças e no coração. 

A relação com a irmã 

Eu conheci a história da Sabrina em uma conversa com a sua filha, a pequena e falante Isabelly. Ela perguntou o nome do meu filho e em seguida disse: aqui em casa sou eu, minha mãe Sabrina, o meu pai Thiago e o meu irmão Arthur. Irmão? Como assim? Disse eu. Sim, ela respondeu, o meu irmão que mora lá no céu, mas que eu converso todos os dias. 

De acordo com Sabrina, com apenas um ano de idade ela começou a contar para a família sobre o irmão, que ela se quer conheceu. “Um dia ela estava conversando no quarto quando eu perguntei com quem ela estava falando e ela me respondeu: eu estava brincando com o Arthur mas agora ele pegou a mochilinha e foi embora para o céu”, contou a mãe. 

Em outra ocasião a criança chegou a afirmar que o irmão estava dentro do carro, passeando junto com a família. No entanto, esses relatos não incomodam os seus os pais, que escolheram contar a verdade para a filha e permitir que ela carregue Arthur no coração, nas brincadeiras e na vida, afinal, um dia todos eles vão se encontrar novamente e serão ainda mais felizes! 










3 comentários:

  1. QUE LINDO SABRINA!!!!!!!! OBRIGADA POR COMPARTILHAR SUA LINDA HISTORIA DE SUPERAÇAO.......QUE DEUS ABENÇOE E PROTEJA A TODOS VOCES AMEM.....

    ResponderExcluir
  2. Isso aconteceu com minha prima, ela descobriu que o bebê veio a óbito de madrugada, e a cesária só poderia ser feita a noite, ela passou o dia inteiro chorando e cheirando as roupas do bebê, aquilo corroía meu coração de um tanto. O rosto dela deitada na cama do hospital depois da cirurgia, nunca mais vai sair da minha memória.

    ResponderExcluir
  3. Choreiiiii... Acompanhei e sofri junto com VC... Minha guerreira e querida amiga amo vcs

    ResponderExcluir