terça-feira, 19 de abril de 2016

Sobre as dores que não poderemos evitar

As vezes me pego olhando para o Enzo, aquele rostinho lindo, uma criança com toda a sua inocência, imaginações, pureza e sonhos e sinto uma vontade imensa (e cheia de amor) de protege-lo das maldades do mundo. De lutar com unhas, dentes e abraços para que ele não sofra. Bate um sentimento estranho, que aperta o coração, dá um nó na garganta e enche os olhos de água ao perceber que quanto mais ele cresce, mais ele voa, mais ele vai para longe, para uma vida que é só dele. 


É difícil aceitar que ao mesmo tempo que nós, mães, curamos o dodói com apenas um beijinho, os incômodos das vacinas no aconchego de um colo e tantos medos vão embora dentro de um abraço, não poderemos evitar outras dores, aquelas, bem maiores. Como sofrer com o apelido que os coleguinhas inventaram para ele na escola, com a desilusão do primeiro amor, com a ansiedade nos dias de prova, além das decepções com alguém querido e as frustrações de uma escolha errada. 

Em meio a esses pensamentos, dá vontade de colocá-lo em meu ventre outra vez, como na época em que ele era só meu, aqui, dentro de mim, protegido da violência, das desigualdades, da exclusão, das doenças, da maldade. Se fosse possível, criaria ele em um bolha, onde ninguém pudesse machucá-lo, mas eu sei que, mesmo com esse amor sem medida que sinto por ele, preciso deixá-lo ir, deixar que siga o seu próprio caminho e escreva a sua própria história e aprendizado, com toda dor que isso implica. Eu não poderei viver por ele. 


Mas eu poderei estar sempre por perto com os braços abertos para acolhe-lo, com o "colinho" sempre disponível, um leite quente e uma cama macia. Pronta para sorrir, chorar e enfrentar com ele todas as dificuldades que virão, mesmo que ele não peça ou não saiba exatamente como verbalizar. Posso também orar por ele e ainda educá-lo para que trilhe pelo caminho do bem e saiba distinguir o certo e o errado. Talvez tudo isso seja mais fácil do que parece. Talvez eu só esteja exagerando, como toda boa mãe! 

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